A conferência de segurança “DEF CON" acontece anualmente desde 1992, sendo uma das mais tradicionais do ramo, e reúne cerca de 10 mil hackers em Las Vegas, nos Estados Unidos, para divulgar pesquisas e inovações, além de servir também como uma “festa” da comunidade de segurança. E nesse ninho de hackers, claro, existe uma rede sem fio disponível para todos os participantes. Considerada a “rede mais hostil do mundo”, ela é gerenciada por Luiz Eduardo dos Santos – um especialista brasileiro.
Eduardo trabalha como diretor do Spiderlabs na América Latina. O Spiderlabs é uma equipe de serviços avançados em segurança de computadores da empresa norte-americana Trustwave. Mas a carreira de 18 anos do especialista esteve em grande parte envolvida com infraestrutura de redes – e foi quando ele trabalhava para uma empresa de soluções wireless que surgiu a ideia de montar uma rede na DEF CON.
“Começou em 2005. Eu falei com o Jeff Moss, que é o responsável pela DEF CON e pela Black Hat. Na época comentei que trabalhava para uma empresa de soluções wireless e perguntei se ele queria uma rede lá. Uns dois meses depois ele disse que queria, e combinamos que ele ia pagar só se funcionasse. Funcionou e ele teve que comprar”.
O brasileiro começou como “fuçador” na área de informática no início da década de 90, quando a conexão ainda era discada nas chamadas BBS (Bulletin Board Systems), sistemas semelhantes a fóruns que eram acessados por chamadas telefônicas para troca de informações.
Luiz Eduardo nunca concluiu a faculdade de Ciências da Computação que começou. Estudou por conta própria e fez treinamentos fornecidos pelas empresas em que trabalhou. Apesar de gostar da área de segurança, teve de se distanciar dela na década de 90 “por questão de sobrevivência” – segurança não era uma preocupação das empresas – e se concentrou em infraestrutura de rede.
A volta para a área de segurança começou no final da década de 90 e início dos anos 2000, quando começaram a surgir ataques massivos na internet. Eduardo trabalhava para um fabricante de roteadores – os equipamentos que servem como “pedágios” do tráfego de internet – e os clientes que queriam que os roteadores bloqueassem o tráfego indesejado. “Depois eu fui trabalhar com redes sem fio, e aí a segurança era uma preocupação indissociável”.
“Até hoje minha especialidade na área de segurança vem dessa experiência com redes”, afirma. Eduardo tem um podcast sobre segurança com Nelson Murilo e Willlian Caprino, o I Shot the Sheriff.



